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A imagem de crianças brincando na rua até o anoitecer, inventando jogos com os amigos da vizinhança e passando horas longe das telas faz parte da memória das gerações que viveram a infância até por volta da década de 2000. O que faz muita gente se perguntar: ser criança era melhor antigamente?
Para Carla Litrenta, psicopedagoga e educadora parental da Escola Internacional de Alphaville – EIA, de Barueri (SP), a resposta não é tão simples. Mais do que comparar épocas, o foco deve ser garantir uma infância equilibrada, com espaço para brincar, aprender, conviver e se desenvolver de forma saudável.
Se por um lado as crianças de hoje convivem com desafios que não existiam há alguns anos, como o uso precoce da tecnologia, agendas repletas de compromissos e maior exposição às redes sociais; por outro lado crescem com mais acesso à informação, novas formas de aprendizagem e discussões sobre temas importantes que eram menos frequentes no passado, como saúde emocional, inclusão e convivência.
Poucos temas têm mobilizado tanto especialistas em educação, saúde e desenvolvimento infantil quanto o uso de telas por crianças e adolescentes. Para a docente, embora a tecnologia seja parte da realidade e ofereça inúmeras oportunidades de aprendizagem, ela não pode ocupar o espaço das experiências fundamentais da infância: o desafio não está em demonizar as telas, mas em estabelecer uma relação equilibrada com elas.
“O problema surge quando o tempo de tela passa a substituir momentos essenciais para o desenvolvimento, como brincar livremente, praticar atividades físicas, conversar presencialmente, lidar com frustrações, explorar a criatividade e construir relações no mundo real”, explica Carla, que é pós-graduada em “Psicologia Positiva: Ciência do Bem-Estar e da Autorrealização”.